Mike Leigh escreveu A FESTA DE ABIGAIU na década de 1970, seguindo a mesma linha dos dramaturgos que, na década de 1950, introduziram o realismo social no teatro britânico. Segundo Mauro Baptista Vedia, “Leigh opta pelos pequenos dramas do dia-a-dia de pessoas comuns, afastadas do poder, em lugar do drama clássico, que se concentra em grandes acontecimentos protagonizados por homens importantes”. Um dos maiores exemplos dessa nova dramaturgia realista e popular, que rompeu com o drama clássico, é Look Back With Anger, de John Osborne.
O diretor também afirma que “ao mesmo tempo em que o texto de Leigh tem uma dramaturgia moderna, ela possui características clássicas, com personagens bem definidos e uma ação que se desenvolve até um clímax. Porém nada de feitos gloriosos”.
Mauro Baptista Vedia buscou uma forma de interpretação diferente para cada um dos atores. “Minha preocupação era evitar o mesmo tom nos cinco personagens. Lawrence é um drama leve; Beverly faz uma mistura entre comédia e paródia; Angela é mais caricatural; Susan tem um quê de cinema, com uma expressão mais interior; e Tony é uma comédia realista, daquelas que nos dão a impressão de que o ator nem está interpretando”, explica Mauro.
O diretor afirma que os personagens funcionam como instrumentos de uma orquestra: "Há uma partitura na mise en scène da peça, bem exata, onde os silêncios, as pausas e o ritmo geral são tão importantes quanto o texto.”
Um trabalho de divulgação e promoção de serviços turísticos